
Nós trocávamos presentes nos Dias dos Namorados, embora nosso amor baseava-se apenas em olhares e mãos dadas. Ele desenhava nossa família fictícia em uma folha de papel, eu inventava nomes pros nossos filhos fictícios – os dois que ele desenhava. Um trato silencioso de namoro platônico.
Eu era aquele tipo mais comum de garota: a bobona apaixonada que, ao invés de prestar atenção na aula, fica observando o menino inatingível do outro lado da sala interagindo com os amigos, mexendo no cabelo e rindo. Ele era o garoto mais popular da turma. Aquele que todas as meninas secretamente amam. Eu, a menininha sem graça e tímida que abaixa a cabeça quando ele olhava em minha direção.
Tudo isso um típico caso de primeiro amor. Aquele que a gente sempre acha que é pra sempre. Ele surge na escola ou na vizinhança. Tem primeiro amor que aponta logo cedo. Outros que surgem mais tarde. Pode passar rápido, ou se demorar um pouco mais.
O primeiro amor é sempre mais inocente, romanceado e irracional. Nem sabemos ainda o que é amor, na verdade. Aliás, mesmo adultos, ficamos às vezes sem saber. Tem gente que nem se lembra dele, coitado. Tem primeiro amor que passa mais turbulento só pra gente nunca esquecer.
E então teve o dia em que eu cheguei em casa e chorei atirada no sofá da sala até meus olhos incharem feito bolas de gude e a minha cara combinar com o que eu estava me sentindo por dentro: uma menininha feia que não serve pra nada. E eu chorei o resto do dia e o resto da noite para o desespero da minha mãe que não sabia o que fazia. Não sabia se me consolava ou se dizia que aquilo tudo era a coisa mais imbecil do mundo para uma garota de 10 anos de idade.
Eu era aquele tipo mais comum de garota: a bobona apaixonada que, ao invés de prestar atenção na aula, fica observando o menino inatingível do outro lado da sala interagindo com os amigos, mexendo no cabelo e rindo. Ele era o garoto mais popular da turma. Aquele que todas as meninas secretamente amam. Eu, a menininha sem graça e tímida que abaixa a cabeça quando ele olhava em minha direção.
Tudo isso um típico caso de primeiro amor. Aquele que a gente sempre acha que é pra sempre. Ele surge na escola ou na vizinhança. Tem primeiro amor que aponta logo cedo. Outros que surgem mais tarde. Pode passar rápido, ou se demorar um pouco mais.
O primeiro amor é sempre mais inocente, romanceado e irracional. Nem sabemos ainda o que é amor, na verdade. Aliás, mesmo adultos, ficamos às vezes sem saber. Tem gente que nem se lembra dele, coitado. Tem primeiro amor que passa mais turbulento só pra gente nunca esquecer.
E então teve o dia em que eu cheguei em casa e chorei atirada no sofá da sala até meus olhos incharem feito bolas de gude e a minha cara combinar com o que eu estava me sentindo por dentro: uma menininha feia que não serve pra nada. E eu chorei o resto do dia e o resto da noite para o desespero da minha mãe que não sabia o que fazia. Não sabia se me consolava ou se dizia que aquilo tudo era a coisa mais imbecil do mundo para uma garota de 10 anos de idade.





