segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Eu queria só um pouco mais...

Então. Eu gostaria de confessar apenas uma coisa: eu gostaria de ter mais coragem.
Mais coragem de te dizer o quanto eu ainda penso em você.
De dizer pra ele o quanto eu adoraria que essa distância o trouxesse para mim.
Mais coragem de gritar meus medos e vomitar minha raiva, sem ter que pedir desculpas.
Eu gostaria de ter mais coragem pra poder escrever estas linhas sem rabiscá-las depois.
Então. Eu gostaria de ser mais corajosa.
Corajosa pra saber que nem sempre o certo é o que nos satisfaz.
Para ter consciência de que às vezes meu peito arde não por tristeza, mas por uma vontade desgraçada de voar.
Corajosa pra entender que minha vida não tem destino certo, e isso não é o fim do mundo.
Eu gostaria de ser mais corajosa pra falar o que eu penso sem desistir na metade, derrotada pela burra timidez.
Então. Eu gostaria de ter mais coragem de ser corajosa.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Fragmentos

Lulu:
- Tia, porque tu é assim?

Denny:
- Assim como, Lulu?

Lulu:
- Assim furiosa.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Pedra por Pérola

Ele caminha só, com suas lágrimas contidas. Não há luz no fim do túnel, então ele apenas ajoelha e ora. E reza por encantamento. Ele reza por uma redenção de sua alma. Reza para que Deus cure suas feridas embora nunca tenha acreditado em orações.
Ele deseja ser mais esperto e sábio. Deseja parar de se enfeitiçar por jóias falsas e de comprar pedras por pérolas. Então ele olha para ela, e sua alma é negra. Ele não conseguia acreditar em seus olhos. Uma mulher tão falsa. Uma linda mentira. Sua maquiagem esconde suas intenções cruéis. Ele jurava sentir o cheiro de amor em seus cabelos, mas nunca existiu amor. Seu sorriso maléfico parecia honesto, e agora ele olha para uma estranha arrancando seu coração sem misericórdia.
Ela o esfaqueou.
Ele a carregou com ele, em seu bolso, em sua vida. Ele pensou ter ganhado na loteria e a exibia – satisfeito. Ele a carregava como uma pérola. Um preciso diamante. Mas não demorou muito para que ele enxergasse que ela não era nada mais do que uma pedra. Uma pedra buscando algum tolo aparecer em seu caminho. Alguém que não reparasse em sua falsidade. Que aceitasse suas mentiras e sua futilidade.
Ele se ajoelha e pede por salvação. Ele carrega seu coração na manga, sangrando e ferido. Ele está machucado. E seu rosto fica cada vez mais pálido. Ele está fraco. Espera o sol aparecer e confortá-lo, iluminando suas sombras com feixes de luz.
Ele a amou.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Eca!

Eu acordei com um gosto amargo na boca hoje: sonhei com um ex-namorado. Isso mesmo. Eu desenterrei o passado em meu próprio pesadelo. Juro que não sou como certas garotas que não superam relacionamentos. Esse ex em especial, meus amigos, eu fiz questão de esquecer rápido. Ele era mais como uma doença que se espalhou pelo meu corpo inteiro me deixando completamente paralisada e letárgica. Hoje não faço idéia como pude namorá-lo, pois não tínhamos absolutamente nada em comum e ele era profundo como uma pedra. Como uma tartaruga. Bem, como alguma coisa incrivelmente besta e lenta.
Não, eu não odeio o cara. Ele apenas não me afeta em nada. Então, realmente não sei por que sonhei com a criatura. Ele não era o personagem principal do meu estranho enredo, mas ele estava lá. Não lembro exatamente sobre o que era o sonho, deixe-me ver se consigo colocar aqui alguns dos detalhes...
Bem, eu estava na sala de estar da minha casa, que em determinado momento se transformou em um campo... Vai entender. Alguns amigos me acompanhavam, mas não lembro exatamente de todos. Minha família também estava lá. Ou seja, era um sonho totalmente tumultuado! Então, um amigo apareceu e enquanto estávamos conversando o sempre inconveniente ex surgiu do nada, e disse:
- Oi. Eu só vim pra pegar os casacos dos meus pais.
Pára tudo!
Primeiro: os casacos dos pais? Meu Deus, até nos meus sonhos ele larga desculpas esfarrapadas! Desde quando minha sala de estar virou chapelaria?
Segundo: os pais dele nunca deixariam alguma coisa deles para trás, acreditem, aqueles levam tudo o que der pra carregar. Eles pegariam o seu se não fosse cuidadoso. E o filho aprendeu direitinho.
Terceiro: tá bom, eu exagerei um pouquinho o número dois, mas a cena no meu sonho era idiota demais pra perder a piada.
Ok, então ele pegou os casacos de um cabide (não sei como o cabide surgiu na história também), mas continuou a olhar intrigado para o meu amigo. Saiu da sala e meu amigo se virou pra mim e disse:
- PQP! Tu realmente namoraste esse cara? Ele é muito metido e está totalmente com ciúmes agora.
Eu respondi o que sempre respondo, “Sim, também não sei como consegui...”. Mas conhecendo o safado como sempre conheci fui procurar por ele, pois se estivesse com ciúmes ficaria rondando o lugar e lançaria para meu amigo mais olhares “mortais”.
E, bingo! O encontrei na minha cozinha tomando um copo de água (oi?). Perguntei se ele queria mais alguma coisa, se não já estava mais do que na hora dele ir embora. Bem assim, bem blasé. Ele concordou que tinha que ir, mas antes perguntou se poderia tomar um banho.
OI?! PQP!!!
Porque o cara não ia embora de uma vez, me perguntava. Disse que óbvio que ele NÃO podia que poderia usar o banheiro para fins número 1 apenas. Ele foi ao banheiro e eu voltei para os meus amigos na sala. Então minha mãe apareceu p da vida porque viu meu ex saindo do banheiro de banho tomado! MEU.... DEUS.... DO.... CÉU... O desgraçado me desrespeitou até no meu próprio sonho. Meu amigo ficou de cara e gritou que se ele não fosse embora ia cagar ele a pau.
O já cagão se assustou e partiu. Ou pelo menos tentou. A porta da grade estava trancada e voltou pedindo que eu a destrancasse para ele. Enquanto abria a porta ele falava algo sobre estar feliz por mim, blá blá whiskas sache... Feliz por mim e meu “namorado”. Respondi que ele não era meu namorado e sim um amigo apenas. Neste momento pude jurar que detectei um leve sorriso de satisfação no seu rosto.
O ex então se despediu e foi embora, finalmente. E enquanto dobrava a esquina me acenou levemente, e eu correspondi. Estava extremamente aliviada.
O sonho não acabou aí, muita água rolou depois na sala que virou campo. Mas quando acordei fiquei com estas partes na cabeça. E agora quando penso neste enredo bizarro enxergo um significado por trás de tudo. É fácil de compreender meu sonho, não apenas pra mim mas também para aqueles amigos e família que estavam comigo e presenciaram de perto o relacionamento.
Ele era um cara ciumento até o osso que nunca escutava o que eu tinha pra dizer. O que ele dizia era o que valia. E quando acabou, quando ele dobrou a esquina que dava para fora do meu coração, eu estava não triste, mas aliviada. Eu estava feliz novamente.
E eu me pergunto: se eu tive este sonho com ele, será que ele sonhou também comigo? Será que ele sentiu-se igualmente aliviado?
Eu aposto que sim.
Porque ele era meu pior pesadelo. Mas eu era o dele.