segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Na minha própria imundice


E hoje eu chorei achando que isso resolveria alguma coisa. Achando que, talvez, de alguma forma insana eu conseguiria colocar todas as minhas imundices pra fora, lavar a alma. E eu tentei fazer faxina dentro de mim, mas nem eu consegui ficar muito tempo no meio da minha própria sujeira. E eu lembro que minha mãe sempre gostou de arrumação e eu queria ser como ela e conseguir arrumar toda a bagunça que eu fiz dentro de mim.

Mas toda vez que me olho no espelho ou eu não enxergo ou eu finjo que não vejo. E eu mesma me trapaceio. E eu chorei hoje achando que eu poderia consertar todas as burradas e todas as besteiras. Se conseguisse tirar de mim essa sensação de que tem algo faltando. Eu odeio a merda dessa sensação. E ela me persegue. É um maldito alarme que apita toda hora.

E eu não agüento mais chorar e ser a mesma garota de sempre. Eu queria que com as lágrimas eu mudasse. Crescesse. Virasse uma mulher tora, forte, inabalável. E eu choro achando que isso é possível e só depois que já estou inchada de tanto chorar eu percebo que porra nenhuma vai acontecer. Vou continuar sempre sendo essa garota estúpida que cai em situações estúpidas e nunca aprende. E o vazio dentro de mim é tão grande, mas tão grande que quando eu percebo que não consigo mais sentir nada, isso dói pra cacete.

Dói não sentir nada. Dói chorar e continuar não sentindo nada. Dói buscar nos outros algum sentimento que esteja sobrando e colocá-los em mim, mas eu nunca consigo fazer eles ficarem por muito tempo. Eu sou tanto, tanto que não sou nada. E eles vão embora. E eles sempre me deixam. Sempre tem alguém melhor no caminho onde eles preferem se abrigar. Nunca é comigo.
Nunca é aqui. Porque aqui não tem nada. Na verdade, aqui não tem abrigo. Aqui tem corredores escuros e imundos que nenhum sabão consegue limpar direito. Ta sempre encardido. E sempre, sempre vazio.

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