quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

bye bye 2008


Adoro aquelas mensagens prontas de ano novo. “Te desejo um ano repleto de luz, esperança e sonhos realizados”. Bem brega, bem ctrl c + ctrl v. E o que é aquela campanha da Bradesco, 2000Inove? Brega ao cubo. Nada contra estas mensagens, veja bem, acho muito legal que as pessoas percam alguns minutinhos pra mandar um feliz ano novo pros amigos.

Poderia responder todas as mensagens com um “muito obrigado pelas palavras, faça dos teus votos os meus”. Bem ctrl c + ctrl v. Mas prefiro registrar aqui o que realmente desejo. Pra dar mais espaço de caber tudo, e numa tentativa de não parecer tão brega.

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Eu desejo que 2009 seja um ano tão lindo quanto o ano de 2008 foi na minha vida. Um ano onde encontrei pessoas especiais, importantes, e com as quais já não me vejo sem. Eu desejo que seja um ano de descobertas, aventuras, recompensas. Um ano onde caminhadas se encerram e outras começam e recomeçam. Desejo, principalmente, que seja este o ano onde tudo se encaixe, e mesmo sendo número ímpar que tudo fique par.

Que tudo fique mais óbvio e menos embaçado. Que você aprenda a aceitar os tombos e os joelhos machucados, e se delicie com as belezas do caminho feito criança pulando faceira com seu algodão-doce. Desejo que você saiba desejar. Sem ser sufocante. Sem ser sufocado. Que você saiba amar um amor livre, sem algemas e sem limites. Desejo que você aprenda que às vezes é melhor deixar rolar do que ter tudo meticulosamente planejado. A vida adora mudar os seus planos. E quando eles mudarem, aceite os percalços e nunca se desespere. O desespero é o pior inimigo de quem quer ser saudável.

E eu te desejo saúde. De todos os tipos. Principalmente mental. Porque em um mundo tão louco pode parecer difícil manter-se são. Mas não enlouqueça. Pelo menos não completamente. Uma loucura lá de vez em quando pode até ser saudável. Mas não exagere. Seja um louco na sua e não um louco eu-durmo-fantasiado-de-homem-aranha.

Eu desejo que você se mantenha desejando, sentindo, amando. Que você se mantenha aberto aos sentimentos e às sensações. Que você viva intensamente cada momento, cada mínimo detalhe. Que você sinta cada choro e cada risada. E que depois você deixe o choro ir embora, agarrando-se aos risos soltos no ar.

Eu desejo que fios de esperança perdidos sejam recuperados. E que a fé adormecida acorde em peitos desolados.

Eu desejo que você aprenda a lição que eu aprendi de dois anos pra cá. Seja você mesmo. Não tenha vergonha de ser quem você é. E se pareceres louco aos olhos dos outros, lembre-se: loucos são eles que não se conhecem, e que se escondem entre um olhar estrábico e um riso torto cuidando a vida do que caminha ao lado, quando deveriam estar olhando pra frente e cuidando do seu próprio nariz.

Que 2009 seja maravilhoso. E que no próximo réveillon eu esteja aqui pra desejar somente isto: que o próximo ano seja ainda melhor!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Meus presentes de Natal


Hoje não quero presentes. Porque os maiores e melhores presentes eu já ganhei. Ganhei amigas lindas, engraçadas, parceiras de madrugadas e viadas (com “i” mesmo, porque ninguém anda de quatro). Amigas que se aproximaram aos poucos e foram ganhando cada vez mais espaço no meu coração e nesse meu mundo insano. Amigas sem as quais nada mais teria graça.

E esse bando de viadas que eu ganhei de presente está espalhado por esse Brasil. Cada uma mora em um canto, mas todas se encontram em um mesmo lugar: Cafofo. Um lugar quase místico, quase sagrado. Um santuário e um priorado. Um lugar de confissões, fofocas, trocas, risos, lágrimas. Um lar. E elas, as Cafofas, são como se fossem as irmãs que ganhei.

Hoje, eu não quero pedir nada. Porque já ganhei muito. Ganhei na loteria da vida com essas gurias. Já não me vejo sem elas, já não nos vejo sem o Cafofo. Então, hoje eu quero mesmo é agradecer.

Agradecer estes sete meses que completaremos amanhã. Sete meses de amizade sincera, de companheirismo maluco. Agradecer por as ter encontrado. Agradecer até as diferenças, pois são elas que tornam essa amizade incrível. Tão diferentes em alguns aspectos, mas tão iguais em outros. No fundo, a gente se completa nas nossas maluquices. E eu quero agradecer por tudo isso.

Agradecer diretamente todas elas: Lucy, Mah, Loli, Mah*, Carolzinha, Clau, Liu, Juja, Kita, Cah, De, Lu, Luh, Lullys, Mi, Mali, Carol e Ari. E cada uma delas.

Lucy, por ser uma fofa, sempre querida, sempre a mil pelo Brasil! Mah, por nunca brigar comigo quando eu digo que Sandy é sonsa mesmo ela sendo baita fã. Loli, que me faz rir muito com seus comentários no Cafofo! Mah*, por essa veia cômica que ela possui. Até hoje imagino ela se jogando na parede ao som de Come Back To Me.

Carolzinha, grande Carolzinha! Obrigada pelo Carolão!! Clau, nossa expert em maquiagem que ta fazendo muita falta no Cafofo. Liu, que está sempre no Cafofo ali na moita que eu sei! Juja, por ser essa alcoólatra engraçadíssima e sem desodorante!

Kita, pelo seu sotaque indecifrável e sua espontaneidade cativante. Cah, que mesmo sumida do Cafofo nunca deixa de dar um oi por lá! De, por ser simplesmente quem ela é! Nunca mude, viu? Lu, outra querida, mas que também está sumidinha. Luh, por ser a idealizadora no nosso futuro blog que nos levará até o programa do Jo. Lullys, essa guria linda, maluca, e a partir de hoje eternamente Mini Eliana.

Mi, por ser a conselheira de plantão da gente, sempre carinhosa, sempre uma DIVA! Mali, que é outra sempre pronta pra ouvir, debater, fofocar... Carol, que está sumida mesmo, mas que é um poço de doçura, sem ironias. (Se fosse estaria falando de De) E Ari, por ser essa doida debochada que só ela, cativante, e simplesmente minha marida!

Agradeço todas. E hoje, agradecer é tudo o que tenho a fazer. Então, obrigado, obrigado! Obrigado Deus, obrigado mundo! Obrigado amigas, por esse ano que entrará pra história por causa de vocês.

Amo!! Amo!! Amo!!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Tudo o que eu nunca vou perguntar e que você nunca vai responder


Quem você vê quando olha pro lado? Até onde teus olhos te levam e até que ponto eles te enganam? Quem você enxerga quando me olhas nos olhos? Quem você vê? Ou nem vê? O que acontece quando você pára pra prestar atenção no que se passa aí dentro? O que você sente e como você aceita o que sente? Se sente alguma coisa. O que você pensa de tudo isso? O que você não pensa? Ou nem pára pra pensar?

Quem você enxerga além de uma garota com um nome comum aí do seu lado? É alguém importante? Relevante? Ou é apenas alguém? Quem ela é? E quem é você quando ela está por perto? Que coisas ela te traz, te ensina, te irrita, te intriga? Que coisas ela te faz imaginar? Loucuras? Romance? Drama? Comédia? O que ela te lembra quando te olha? Ou você não se permite viajar?

Quem você vê quando olha pra cima, quando olha pra baixo? Quem te tira do chão? Quem te deixa cair? Quem você vê quando se olha no espelho? Ou você nem se olha? Ou se olha tão rápido que nem dá tempo de realmente se enxergar? Quem você quer ser nesse mundo? No seu, no dela. Ou você nunca pensou seu papel no mundo de outros? E o que você espera dos outros? Seja sincero e me diga se enxerga alguma coisa além do próprio umbigo. Ou nunca enxergou?

Afinal, quem você vê quando olha pro lado? Não esse, o outro. É, esse lado onde eu me encontro.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Para o garoto estranho,


Que me aterroriza com seus olhares indecifráveis e que me deixa sempre perguntando “e agora?”. Aquele que me desarma mesmo eu fazendo questão de bancar a durona e manter minha cara de Aquela Que Não Se Abala. E eu juro pra todo mundo que você não me abala em nada, mas é mentira, é mentira.

E eu largo meios-sorrisos e meias-verdades porque eu não gosto de ser transparente. Não gosto que você saiba exatamente o que eu estou pensando porque eu tenho medo que isso te faça fugir. E eu me prendo às minhas experiências anteriores onde todos eles fugiram de mim porque eu já fui abrindo as portas da minha vida e da minha alma logo de cara. E no fundo eu sei que você não é como esses outros caras, mas eu ainda prefiro manter pequenas facetas ocultas no meu peito esquisito.

Você que me impede de raciocinar direito toda vez que me olha sorrindo com aquela cara de safado. Que debocha das minhas bobagens e me deixa debochar das suas. Você com seu quarto de psicopata, seus cartazes de filmes e bilhetinhos de cinema, que só me deixa ainda mais intrigada. E eu não sei se saio correndo ou se fico. E eu fico, e eu fico.

E a minha cara de Aquela Que Não Se Abala às vezes sucumbe e se deixa sumir, entre um beijo e um carinho na mão. E eu sinto a minha cara lavada tão nítida que parece que você vai conseguir enxergar tudo aquilo que eu fico tentando esconder. E eu te olho nos olhos contando segundos e nunca me permito passar dos dez, porque eu tenho medo que se você me olhar muito vai saber. Você vai descobrir. Tudo aquilo que eu varri pra debaixo do tapete azul turquesa que enfeita o meu peito esquisito.

E você, garoto estranho, está quase descobrindo que basta levantar esse tapete. Bastar levantá-lo que verás tudo o que é necessário pra me decifrar. Pra decodificar minha mente maluca. E você está quase descobrindo que embaixo o tapete é cinza. É cinza de tanta poeira e sujeira que eu escondi ali. E eu queria poder dizer que eu não me importo com isso, mas é mentira, é mentira.

Ontem eu comentei o quanto eu erro pra escolher homens, e aquele nosso amigo em comum que está sempre debochando de tudo forjou uma cara séria nunca antes por mim vista e disse “agora acertou”. Acertei? E eu me pergunto “e agora?” e me pergunto “Será?”. E eu não sei se saio correndo ou se fico. Então olho para o garoto estranho e ele está me observando do outro lado da sala com aquela cara de safado que me impede de raciocinar. E eu fico, e eu fico.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Para: Fabiano. Ou Fafo, mesmo ele não gostando do apelido


Ele me conhece desde que nasci. Já me pegou no colo e me viu crescer. Me viu dar os primeiros passos e a balbuciar as primeiras palavras, mesmo que ele não lembre direito. Me viu chorar, espernear, ser chata e cabeça-dura. Já me viu ter ataques de criança mimada e bater a porta. Mas nem por isso, nestes momentos, ele me amou menos.

Ele já me fez muito cascudo, me apertou, me bateu, me fez cosquinha. Até musiquinha pra debochar de mim ele já fez. Ele já me tirou do sério. Me fez guampinhas em fotos. Disse que fui trazida por ETs e encontrada na lata de lixo. Ele não ia nas minhas apresentações de ballet e não foi na minha formatura. Mas nem por isso eu deixei de amar ele menos.

Ele era magrinho, desengonçado. Usava óculos fundo de garrafa. Adorava filmes de terror e me fazia assistir junto, o que me rendeu muitos pesadelos com Freddy Krueger. Usava roupinhas de nerd e vivia desenhando. Ele me ensinou a colorir sem borrar os desenhos, me lembro até hoje. E a não apertar tanto o lápis. E ele tentou me ensinar a escrever meu nome, mas eu escrevia “dense”. Ai ele dizia: “falta o ‘i’!”. E eu escrevia “densei”.

Depois de anos ele foi embora, fez a vida dele. Cresceu, amadureceu, foi ser quem ele nasceu pra ser. Hoje ele ta longe. Ta longe faz tempo. E a saudade mora no meu peito faz tempo. Parece que quando as pessoas estão longe a gente realmente reconhece o valor delas. Hoje eu dedico este post pra ele.

E ele é lindo, viu? Por fora e por dentro. Inteligente, engraçado e o cara mais educado que conheço. Sempre pronto pra ajudar, preocupado com todos. Um ótimo ouvinte. Um homem de fé e de Deus. E ele é meu irmão mais velho. Meu mano.

E pensar nessa distância sempre me faz recordar de uma musiquinha que eu inventei pra ele quando não conseguia encontrá-lo em lugar nenhum. “Estrelinha da sorte mais, eu quero ver o meu irmão”. Ele deve lembrar, porque ele estava escondido de mim e nunca riu tanto.

Dedico este post pra ele porque hoje é seu aniversário. 30 anos. E antes que chegue meia-noite eu quero celebrar que ele nasceu. Celebrar sua existência e seu papel na minha vida. Comemorar que eu tenho alguém que me ama incondicionalmente, não importa eu pegando estradas diferentes das dele, porque ele me apóia. Torce por mim. E dá pitacos, porque ele é uma das poucas pessoas que pode. E quero comemorar que eu sei que minhas vitórias são também as dele. E as dele as minhas. E que ele se tornou um homem que eu admiro e respeito sem igual.

Sabe aquelas pessoas imprescindíveis? É ele.
E ele é meu irmão. E eu amo, infinitamente.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

a garota dos teus sonhos.



Ela é a garota dos teus sonhos. Aquela com uma personalidade forte que irrita às vezes, mas que é impossível de ficar longe. Aquela que te fará rir sujando de sorvete o seu nariz. Que te deixará louco porque ela adora um bom drama. Aquela que te contará piadas – mesmo sendo péssima nisso – só pra colocar um sorriso no seu rosto quando estiveres tendo um dia ruim. E ela não faz porque você pede. Ela faz apenas porque pode.

Ela é a garota dos teus sonhos. Aquela que não pede nada em troca além do seu carinho e respeito. Que não te empaca, pelo contrário, te impulsiona a ser sempre melhor. Aquela que te ensina todo dia alguma coisa diferente e inusitada. Que nunca deixa de surpreender. Aquela que te arrepia a nuca quando te beija. Que te dá um friozinho na barriga quando vai embora. Aquela que não quer ir embora.

Ela é a garota dos seus sonhos. Aquela feita sob medida para você. Que te entende às vezes melhor do que você mesmo. Que te acalma nos teus exageros. Que se diverte com tuas manias. Aquela que compartilha teus gostos, mas não em tudo, porque senão seria monótono demais. E ela não é monótona. Ela é tormenta. Ela é fogo. Ela é tudo aquilo que te falta. Ela sou eu.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

"fica bem, te cuida" - homem adora dizer essa merda




Ele era um cara com quem eu ficava. Um cara por quem me apaixonei. Brevemente. E ele também foi um dos caras que me deixou. Sumiu. Evaporou. E depois ele se tornou um daqueles caras que somem, mas voltam depois pra assombrar, pra dizer “ei, eu ainda existo, mas pra você eu só existo quando quero”. E faz um ano que ele tenta me convencer que mudou. Mas eu não acredito, porque ninguém nunca muda. E ele vai ser eternamente aquele palhaço que sumiu depois de me dar um beijo de boa noite e dizer um “fica bem, te cuida”. E até hoje quando escuto essas palavras me embola uma raiva na garganta.

E ele me procurou hoje pra dizer o quanto estava diferente. “Não sou mais esse cara”, ele disse. Perguntou se eu estava com alguém. E embora eu tenha alguém, não sei o que me deu, eu respondi que não. E depois de responder me senti um pouco culpada. Mas, pense bem, talvez ele nem esteja apenas comigo, como posso saber? Então, foda-se. Agora já foi. Quem disse que ele precisa ficar sabendo?

Ele me convidou pra dar uma volta. E é só uma voltinha, não tem nada de mais. Uma voltinha na avenida, de repente um sorvete... Mas, espera. Será que eu deveria? Ele é um idiota e eu estou com alguém. Por outro lado, ele é um idiota carente e eu sou uma garota carente que acabou de se estressar com o respectivo porque quando ele se despediu me largou um “fica bem te cuida” que nem esse que diz que mudou. Ei, palhacinho de plantão, vamos dar uma voltinha.

Pensando melhor... Melhor não mesmo. Porque eu estou vulnerável, acabei de sentir aquela raiva na garganta, melhor não arriscar. Deixa assim. Mas, quem disse que ele precisa ficar sabendo mesmo? Se eu souber fazer direito, ele nunca ficará sabendo. E não posso fazer nada se ele nunca me convida pra dar voltinhas, e eu fico tentada a aceitar convites de terceiros. E lá estou eu tramando formas de ser infiel. É, isso não vai dar boa coisa. Eu não sei ser trouxa, vou me afundar no remorso e acabar estragando tudo.

Nego o convite de dar uma voltinha. Melhor assim. Melhor eu ser uma garota sem voltinhas na avenida, mas sincera. Ele ficou magoado, mas se realmente mudou como diz, vai entender. Então ele se faz de triste, mas se conforma, e antes de ir: “fica bem, te cuida”. Porra, duas vezes no mesmo dia. Fica bem, te cuida o cacete! E meu ódio por essas palavras evoluiu mais um grau na escala de coisas que eu odeio.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

6:27 da manhã.


Impossível dormir. Impossível deitar a cabeça no travesseiro e sonhar quando a minha mente não consegue desligar-se de você. Quando meu peito aperta de leve ao lembrar-se das suas mãos nas minhas. E eu fico deitada na cama, olhando para o teto, lembrando você. Recordando seus trejeitos, suas manias. Contando dias. E é impossível descansar quando tudo o que consigo fazer é rabiscar numa folha o formato do seu olho, os traços da sua boca.

Dessa vez passei a noite toda em claro. Sonhando acordada. Criando diálogos que poderia ter com você se tivesse coragem de lhe dizer tudo o que quero. Se tivesse a coragem de te mostrar o que eu quero. Fiquei rindo sozinha pensando nas suas possíveis respostas e reações diante minhas loucuras, e torcendo para que você seja realmente assim como eu imagino, um cara que sabe apreciar insanidades.

Fiquei repassando mentalmente todos os detalhes de todas as vezes que te vi. Desde as músicas que tocavam até as cores das suas camisas. E confesso que colei no último item, revendo fotos guardadas no computador. Comecei a recitar músicas que tivessem a ver com a nossa história, mas não encontrei nenhuma. E aí me perguntei: mas qual é a nossa história? E eu percebi que não sei ainda.

Eu não sei como descrever nem expressar exatamente nada disso. Então foi ainda mais impossível dormir, pois precisei ao menos escrever alguma coisa que fosse remotamente perto disso que eu não sei o que é. E eu terminei ainda mais desperta de quando me deitei na cama horas antes.

E o dia amanheceu e eu continuo sem sono. É impossível dormir. É impossível fechar os olhos quando o que eu quero mesmo é manter-los bem abertos pra enxergar todos os movimentos de desabrochar disso tudo que eu não sei o que é.

domingo, 7 de dezembro de 2008

tio...


Se eu soubesse como melhorar tudo para você, eu faria. Se pudesse te curar para que nunca mais sofras, eu faria. E nunca mais nenhum de nós sofreria te vendo com dor, impossibilitados de te ajudar. E é essa impossibilidade que me machuca mais. Porque eu queria fazer alguma coisa, mas não tem nada que eu possa fazer. E o meu amor por você, que sempre existiu, parece agora pulsar mais forte, para que você saiba que ele sempre existiu. Nunca se esqueça disso. Nunca.

E eu rezo todas as noites para que esse mal vá embora. Para que você fique melhor, para sempre. E eu só queria que você soubesse que se eu pudesse tomar seu lugar, eu faria. E eu rezo a Deus para que ele te leve um pouco do paraíso, porque eu sei que o que você está enfrentando é um inferno, todos os dias. Tão rápido tudo mudou. Tão rápido essa notícia nos desmoronou. Mas você tem que ser forte. Seja forte, por favor.

Os meses passam e tudo parece igual. E eu continuo esperando aquela notícia boa. Que está fora de perigo. Mas o perigo não abandona, e a notícia nunca vem. E você continua lutando. Continue sempre lutando! Nunca é tarde demais para se brigar pela vida. E você não está sozinho nessa batalha. Com você estou eu, estamos todos nós. Juntos, por você. Por amor. Pela família.

Nós todos nos erguemos para mostrar que existe a esperança. Que tudo vai ficar bem. Ninguém vai deixar seu lado. Me perdoe se eu não consigo te olhar nos olhos. Mas eu não consigo. Porque eu sei que eu prometeria nunca chorar, e isso eu nunca poderia cumprir. Me perdoe se eu não consigo mostrar exatamente o que estou sentindo, mas saiba que eu te amo. E que embora eu saiba que só o que posso fazer é torcer por você, eu vou dormir todas as noites querendo magicamente acordar com o poder de cura.

para aquele que nunca me deixa


Adoro que ele acha que eu realmente me importo com o que ele pensa. Quando ele opina e se mete nos meus assuntos porque se preocupa comigo. E quando ele resolve me dar conselhos amorosos porque não quer me ver de coração partido sendo que ele mesmo já partiu meu coração uma vez.

Adoro que ele pensa que pode voltar assim pra minha vida no papel de amigo do peito. Adoro que ele se considera meu amigo, na maior moral. E quando ele liga pra minha casa pra saber das últimas fofocas, eu acho mais engraçado ainda. E por um momento eu não consigo xingar ele, mandar ele me deixar em paz. Porque no fundo eu adoro que ele ainda fica na volta mesmo sabendo que eu nunca daria outra chance.

Adoro saber que mesmo assim ele gosta de perder tempo me elogiando e dizendo o quanto eu sou a mulher que mexe com o coração dele, mesmo sabendo que esse papinho não funciona comigo. E depois que ele fala tudo isso ele larga aquela risada, porque ele também sabe que ta perdendo tempo. Mas ele nem parece se importar muito. E ele sempre surge pra saber em que pés as coisas estão.

Eu acho divertidíssimo. Então eu deixo ele se aproximar, e a gente debocha dos meus ex-namorados, analisamos o atual ficante, nos matamos de rir fazendo listas de prós e contras. E ele escuta tudo o que tenho a dizer, mesmo sendo um “vai à merda” direcionado a ele, então ele me chama de chata. Mesmo ele sendo o chato que fica insistindo pra me ver porque ta com saudades de conversar comigo a noite toda, mas sabe que eu aceito apenas encontros breves. Porque por mais divertido que possa ser, eu nunca agüento mais de duas horas.

Depois eu já começo a me irritar e a perder a paciência. E nossas conversas sempre terminam com eu mandando ele a merda e ele dizendo o quanto me adora. E bem lá no fundinho eu meio que adoro isso também.

Falta um mês pra eu te achar um imbecil.




Um mês já foi e aos poucos eu vou te achando mais chato, aos poucos você vai perdendo a graça. Quando completar dois meses eu vou te achar um idiota. E um pouco antes do nosso aniversário de três meses eu vou desaparecer. Eu vou sumir. Porque provavelmente depois de te achar um imbecil eu vou ficar de saco cheio e pegar nojo da tua cara.

Então falta um mês pra eu te achar um imbecil e mais algumas semanas pra eu enjoar da tua cara.

Não me entenda mal, você pode ser o cara mais legal do mundo, mas serei sincera: é exatamente isso que vai acontecer. Nesta mesma ordem.

E em nome da ordem cronológica dos fatos hoje é o dia que eu percebo o encantamento do início escapar. E vou sentindo aos poucos que daqui pra frente você está fadado a ser apenas mais um. Eu não posso evitar. É assim que vai ser, porque é assim sempre.

Eu vou cansar de você. E quando cansar eu vou chorar porque no fundo eu só queria alguém de quem eu nunca cansasse. No fundo eu só queria alguém que mudasse os fatos, virasse tudo do avesso.

Falta um mês pra eu te achar um imbecil. Um mês e algumas semanas. E você será só mais um idiota com o nome riscado na minha agenda velha.

sábado, 6 de dezembro de 2008

santinha do pau oco


Poderia ser tão fácil. Tão fácil arrancar essa máscara que cobre meu rosto, tão fácil se deixar ser, nua e exposta sem medo de ser julgada. Poderia ser tão fácil assim, e seria não fossem meus constantes pensamentos e mania de perseguição. Não fosse essa tua faca pronta pra me fazer sangrar, cortando meu peito só por cortar. Poderia ser tão fácil, mas quem disse que ser fácil não é complicado?

Quem determinou que as mulheres leves e saltitantes, aquelas que nunca têm bagagem, são as mulheres que deveríamos ser? Quem determinou lá na cartilha da vovó que nós temos que estar sempre sorrindo, fazendo pose, quando o que a gente quer é gritar e correr? Quem disse que devemos ser mulheres finas se nós queremos mais é mandar aquele idiota à merda? Vai à merda, fulaninho, e não me diga que eu tenho que ser leve. Eu não sou leve. Eu sou pesada. Mas eu não preciso de ninguém pra carregar meu peso. Eu mesmo o carrego nas costas. E eu o cuspo no mundo. E o puxo de volta. Sim, eu sou apenas uma garotinha porca.

Seria realmente fácil ser quem eu sou, não fosse o que eu sou para os outros. Não fosse essa mania chata das pessoas me acharam meiga, doce, uma santinha. Todo mundo me acha uma santa, e pelas costas eu estou armando minha próxima artimanha diabólica. Eu sou dois lados, eu sou maldosa, eu tenho faro pra idiotas e adoro vê-los caindo de bunda na própria merda. Eu dou risada, e dou risada na tua cara, porque eu gosto de deixar claro que você nunca seria bom o suficiente pra mim. Não tem ninguém bom o suficiente pra mim.

Eu vejo defeito em todo mundo. Eu primeiro começo a coluna dos “contras” pra só depois apontar os “prós”, que são sempre 20 contra 5. Eu não me dou de bandeja. Eu faço joguinhos eu bolo planos, eu mexo pininhos no tabuleiro invisível que é a minha vida e faço de tudo pra testar as pessoas. Eu testo todas. Até o limite. Eu testo não pra enlouquecê-las, mas pra saber se elas podem com a minha loucura. Eu preciso de alguém que saiba suportar tudo o que eu espalho por ai.

E eu preciso de alguém pra me catar depois. Catar os pedaços de mim que eu vou jogando nas esquinas imundas, tentando burlar e ocultar minha personalidade insana. Eu preciso de alguém que sinta prazer em juntar todos os esses pedacinhos e que não tenha medo do resultado. Eu preciso de alguém que não goste de mulheres leves e saltitantes. Preciso de alguém que goste de mim. Alguém que me permita ser aquela mulher sem máscaras, nua e exposta, sem me julgar depois. E que me convença que tudo pode, realmente, ser muito fácil.