terça-feira, 30 de junho de 2009

Namorinho



Nós trocávamos presentes nos Dias dos Namorados, embora nosso amor baseava-se apenas em olhares e mãos dadas. Ele desenhava nossa família fictícia em uma folha de papel, eu inventava nomes pros nossos filhos fictícios – os dois que ele desenhava. Um trato silencioso de namoro platônico.

Eu era aquele tipo mais comum de garota: a bobona apaixonada que, ao invés de prestar atenção na aula, fica observando o menino inatingível do outro lado da sala interagindo com os amigos, mexendo no cabelo e rindo. Ele era o garoto mais popular da turma. Aquele que todas as meninas secretamente amam. Eu, a menininha sem graça e tímida que abaixa a cabeça quando ele olhava em minha direção.

Tudo isso um típico caso de primeiro amor. Aquele que a gente sempre acha que é pra sempre. Ele surge na escola ou na vizinhança. Tem primeiro amor que aponta logo cedo. Outros que surgem mais tarde. Pode passar rápido, ou se demorar um pouco mais.

O primeiro amor é sempre mais inocente, romanceado e irracional. Nem sabemos ainda o que é amor, na verdade. Aliás, mesmo adultos, ficamos às vezes sem saber. Tem gente que nem se lembra dele, coitado. Tem primeiro amor que passa mais turbulento só pra gente nunca esquecer.

E então teve o dia em que eu cheguei em casa e chorei atirada no sofá da sala até meus olhos incharem feito bolas de gude e a minha cara combinar com o que eu estava me sentindo por dentro: uma menininha feia que não serve pra nada. E eu chorei o resto do dia e o resto da noite para o desespero da minha mãe que não sabia o que fazia. Não sabia se me consolava ou se dizia que aquilo tudo era a coisa mais imbecil do mundo para uma garota de 10 anos de idade.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O que rola no messenger...



Eu, gaúcha de Pelotas.
Andrezza, paraibana de João Pessoa.
Um diálogo sobre minha ida até JP, pra visitar essa rapariga.
Uma troca de gírias regionais pra descontrair. Ou confundir?
Pena que não dá pra postar a conversa inteira, mas eis um trechinho.



Denny | i'm not looking back. diz:
quero ver. será que vamos saber nos comunicar? fala uma coisa, a outra "qqqqq", fala outra coisa, a outra "qqqqqqqqqq"

andrezza. diz:
AUIEHUIAEEAUAU vai ser foda
Escacela - pasta (de guardar papéis).
conhece? /hm

Denny | i'm not looking back. diz:
QQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQ
HEAIUEHA

andrezza. diz:
qq

Denny | i'm not looking back. diz:
nunca ouvi na life

andrezza. diz:
/corre
AUEHUIAHEAUIEHAUEA

Denny | i'm not looking back. diz:
pasta é pasta, pow
ehaihea

andrezza. diz:
comofaaaaaaaaaaaaaaaaaas
Pergolado – Jardim de inverno.
aqui em casa tem um pergolado /hm
é tipo um jardim dentro de casa /hm
conhece? o.o

Denny | i'm not looking back. diz:
qiso Q ISSO DELS

andrezza. diz:
WTF
AUEIHAEUHEIAUAEHUIEAHIUAAE
tu tais mentindo /nath
/torindo

Denny | i'm not looking back. diz:
jardim dentro de casa é jardim dentro de casa /natcry
EAHIUEAEHUHEIUAEHUAEAHEUHEUAHIEUHAEHA

andrezza. diz:
HAEUIEHAUIAEHUIAEUIEHUIAHIUAEHEUIAHAUIHAEUAE
QQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQ
AHUEAIAHAEHOEIAOEIIHOIEEIEHIOEIOEHOIA
/rimto

terça-feira, 2 de junho de 2009

Duas colheres (de chá) de esperança


Vou pensar alto agora.

Não existem coincidências. Acho que de alguma maneira sinistra a vida tem sempre um motivo pra nos levar por este ou aquele caminho. Mas acho também que às vezes nós alteramos os trajetos, pegamos atalhos, e não dá pra por a culpa na vida, em Deus, ou outros terceiros. Aí a culpa é nossa mesmo, seja adulto e aceite os fatos.

Se não existem coincidências, acaso ou meros esbarrões, é digno pensar que todas as pessoas que já passaram pela sua vida deveriam ter passado pela sua vida. E todas as que ainda passarão, é pela sua vida mesmo que elas devem passar. Sendo assim, seria contraditório xingar o mundo quando trastes, idiotas, e babacas de demais gêneros e degraus te encontram por ai. Mais fácil aceitar a existência dessas pessoas e abstraí-las de qualquer parte digna de você.

Se babacas entrarão na sua vida mesmo que você não queira e fuja deles, alguma lição tem aí. Já que a vida não te manda eles por acaso, alguma coisa de boa tem que surgir disso tudo. Confere? Ok, só que aí chega a parte mais difícil: entender a lição. Captar a mensagem.

Você tem duas alternativas pra aceitar os fatos e aprender com estas coisas: ou você abraça a babaquice alheia e se torna tão canalha quanto, ou você espera que um dia Deus enxergue o quanto você se mantém firme e forte na convicção que alguém que preste ainda surgirá e te recompense no futuro, de preferência uma recompensa com 1,80 de altura, forte, inteligente, engraçado e decente.

Se existe realmente uma moral por trás, a moral da primeira alternativa citada acima seria que ser interessante e exigente não compensa e não traz frutos, simbora criar um mundo de filhos-da-puta que só sabem sugar os outros para seus próprios benefícios. Cada um por si, o mundo do homem sem tempo pros outros. A moral da segunda alternativa seria que se você espera alguma coisa boa tem que provar que merece, tem que provar seu valor, provar pra quem? Deus? Pra você mesma? Ninguém sabe, mas aí é problema seu, eis o mundo de provações onde nada é free, my friend. Simbora pagar com seu restinho de esperança por um pouco de romance.

Eu encontrei um restinho de esperança, guardadinho pra emergências. Eu quero romance, por favor.